De tempos em tempos, alguém surge com uma idéia que, quando funciona, muda completamente a forma que certos produtos funcionam. A invenção da “linha de montagem” foi a responsável pelo que chamamos da 2ª revolução industrial. A invenção da internet mudou tanto a vida de nossa geração que não há nem como explicar a proporção dessas mudanças. Tudo bem, a mudança que vou falar aqui não é nem de longe algo tão drástico quanto essas duas, mas pode mudar profundamente a produção de jogos, e de todas as empresas relacionadas a isso. Pode ser a origem de uma nova gigante da informática, do mesmo naipe do Google ou da Microsoft.
Mas do que estamos falando, exatamente? Bom, foi anunciado recentemente na última Game Developers Conference (GDC), um serviço de distribuição de jogos revolucionário, chamado de OnLive. Antes de qualquer coisa, vamos entender como esse troço funciona. Vamos parar e lembrar agora, como funciona a produção de jogos convencional? As empresas criam o jogo, distribuem ele em DVDs ou outras mídias, você compra o jogo, instala ele em seu PC, e então joga. O jogo funciona dentro do seu próprio computador, usando o seu hardware. Mas se o OnLive funcionar como eles esperam, isso será coisa do passado em pouco tempo.
A idéia é, no fundo, bem simples. Porque não deixar o jogo instalado no computador da própria empresa, e fazer com que o consumidor jogue ele usando a internet? Funciona assim: o sistema OnLive possui no computador dele, o jogo que você pretende jogar. Você se conecta pela internet com esse computador, e o jogo passa a rodar ali mesmo. Quando você clica, ou faz qualquer comando em um teclado ou joystick, os dados são enviados pela internet até o servidor do OnLive. Então o servidor transforma a imagem da tela em um vídeo, e envia de volta para você no seu computador. Tudo em tempo real. Na prática, você está jogando o jogo a distância!
Esse sistema possui diversas vantagens, tanto para os produtores quanto para os jogadores. Falando das produtoras, uma gigantesca vantagem é que esse sistema acaba completamente com a pirataria. Afinal, o jogo não fica no seu PC! Só isso já seria uma maravilha para eles, mas além disso, também acaba com os custos de distribuição. É um sonho virando realidade. Para os jogadores, a vantagem é que você não precisa ter um PC poderoso para jogar jogos com gráficos de ponta. Mesmo com o notebook mais velho e acabado, você terá o jogo com os mesmos gráficos dos PCs de última geração – afinal, o jogo está rodando no computador da OnLive, e não no seu! Graças a isso, você pode usar o sistema OnLive até mesmo em uma televisão, com a ajuda de um aparelho pequeno que substitui o PC!
Mas nem tudo são maravilhas. O sistema OnLive ainda trás mais perguntas do que respostas. Por exemplo, será mesmo que eles conseguirão montar um sistema capaz de rodar tantos jogos simultâneamente? Imagine milhares de pessoas jogando jogos como Crysis em todo o mundo – mesmo os supercomputadores atuais sofreriam para aguentar tanta carga de processamento. Além disso, existe um problema ainda maior: a velocidade da conexão. Se ela tiver qualquer mínima lentidão, o que vai ocorrer é o famoso lag que assombra grande parte dos jogadores de jogos On-Line, e estraga a jogabilidade. Os próprios criadores do OnLive reconhecem que mesmo em países com boa conexão, a qualidade da imagem do vídeo não seria muito alta.
E isso é apenas a ponta do iceberg, não faltam problemas para serem resolvidos. E países como o Brasil, onde a conexão é horrível? E os MODs, que são produtos comuns para os jogos de computador, iriam desaparecer? Qual serão os preços, será que vai valer a pena? Não ficarão caros demais? Como o sistema funcionará para jogos multiplayer? Como ficam as empresas que produzem hardware, como a Nvidia? Talvez o OnLive seja uma ótima idéia, mas que surgiu antes da hora. Só nos resta esperar!
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